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Bom, o dia dos namorados foi domingo passado, dia 12/06, mas eu só recebi essa redação da minha professora na quarta-feira. Foi uma prova de redação que nós fizemos na sala, em que havia três temas para serem escolhidos: o primeiro era narrar uma história de amor com um final trágico; o segundo tema era falar sobre um vizinho seu que era meio doido e que certa noite resolvera dormir no telhado, você observava tudo de longe; o terceiro tema era falar da sua revolta porque todos na sua casa haviam brigado com você e sua decisão foi fugir. Eu achei os três temas interessantes, mas decidi escrever sobre o primeiro. Não deu outra: sorte! Minha redação foi escolhida, pela professora, como a melhor do colégio... (heheh) e aqui está ela, postada, para os enamorados desse grande país curtir... Por favor, leiam e comentem... Nem eu sabia que minha cabeça era tão boa pra essas coisas. Acho que estou me convencendo de que é isso que quero fazer para o resto da vida...
Toda manhã, quando o ar ainda estava úmido como o da noite, o carteiro passava pela Rua C do condomínio. Era um homem novo de uma boa aparência física que indicava estar no auge dos seus vinte e dois anos; seu rosto ficava escondido pelo boné azul que usava. Ia de casa em casa, jogando as correspondências nas caixas de correio.
Certa manhã, enquanto passava pelas casas, ele parou um instante e seus olhos vislumbraram uma linda moça, sentada nos degraus da casa do outro lado da rua. Seus olhos amendoados e redondos fitavam o carteiro, que deixou algumas cartas de suas mãos caírem e sua boca abrir-se. Demorou um pouco para os dois saírem daquele transe que parecia amor à primeira vista.
Desde então, o jovem moço sempre deixava uma carta num envelope de cor diferente na caixa de correio da casa da moça. Ele não sabia que discretamente ela o observava, todas as manhãs, através das janelas. Os dois não tinham coragem de admitir que estavam completamente apaixonados, embalados por cartas cada vez mais românticas e por um amor que se restringia apenas ao contato visual.
Uma passagem pela rua um pouco mais tarde da manhã revelou ao rapaz uma imagem que o desiludiu completamente: a linda moça entrava em um carro. Ao lado dela estava um outro rapaz, muito parecido com ela. Então, aos prantos ele saiu dali e nunca mais foi visto. Em seu lugar, um outro carteiro deixava as correspondências. Numa das manhãs em que passava pela casa da moça, foi abordado por ela enquanto depositava um envelope vermelho na caixa de correio. A moça tentou dizer que o jovem que o outro carteiro havia visto era na verdade seu irmão. Mas, abrindo o envelope, ela descobriu que o moço cometera suicídio, e que na última carta de amor, em sua última linha, acompanhada por duas marcas de lágrimas, estava escrito: “Eu não posso viver essa vida sem você ao meu lado... E eu te amo, mesmo muito longe de você”.